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A paixão do fã é maior do que a frieza da indústria

A corrida dos consoles, do jeito que nós conhecemos, acabou há muito tempo.

Sonic e Mario nas Olimpiadas
Sonic e Mario nas Olimpiadas

Quem viveu o auge dessa disputa provavelmente se lembra das campanhas de marketing extremamente agressivas, principalmente na época da rivalidade entre Sega e Nintendo. Talvez o caso mais emblemático tenha sido justamente quando o Sonic começou a aparecer em outros consoles — especialmente nos consoles da Nintendo.

Eu lembro até hoje da primeira vez que vi Sonic Adventure no Nintendo GameCube.

É verdade que, naquela geração, a Sega já havia deixado de fabricar consoles depois do Dreamcast. Ainda assim, aquilo causava um estranhamento enorme. Afinal, o Sonic era muito mais do que um personagem, ele era um símbolo de uma disputa que, durante anos, foi marcada por ataques de um lado e do outro.

Ver aquele símbolo em uma plataforma que antes era considerada “o rival” parecia simplesmente errado.

Sonic Adventure no Gamecube
Sonic Adventure no Gamecube

O curioso é que, olhando para trás, talvez aquele tenha sido um dos primeiros sinais de que a indústria já começava a mudar, mesmo que nós, fãs, ainda não tivéssemos percebido.

Nos últimos anos, a Microsoft passou a levar vários jogos antes considerados exclusivos do Xbox para outras plataformas. Forza Horizon chegou ao PlayStation 5 e teve um excelente desempenho. Outros títulos que deveriam ser exclusivos como Sea of Thieves ou Indiana Jones and The Great Circle seguiram o mesmo caminho.

Em teoria, a gente deveria ter se acostumado com isso.

Mas não foi o que aconteceu.

Ninguém é de ninguém

Halo: Campaign Evolved - Warthog
Halo: Campaign Evolved – Warthog

Agora, quando Halo: Campaign Evolved chegou ao PlayStation 5, o impacto foi completamente diferente, é muito estranho ver isso.

E faz sentido.

O primeiro Halo não era apenas um jogo de sucesso. Ele ajudou a construir a identidade do Xbox. Para muita gente, falar em Halo é falar em Xbox.

Só que existe uma ironia interessante nessa história.

Antes de se tornar um símbolo da Microsoft, Halo havia sido apresentado em um evento da Apple, na Macworld de 1999. Foi somente depois que a Microsoft enxergou o potencial do projeto e adquiriu o estúdio, transformando o jogo em um dos maiores pilares da marca Xbox.

Ou seja, até mesmo o Halo já nasceu mostrando que, para a indústria, plataformas nunca foram algo tão definitivo quanto parece que são para nós.

Da mesma forma, a Bungie, criadora da franquia, deixou de fazer parte da Microsoft anos depois e acabou sendo adquirida pela Sony. Ainda assim, isso nunca significou que Halo deixaria de existir como um símbolo Xbox.

A verdade que nossos corações não assumem

No fim das contas, as empresas sempre tomam decisões de negócio.

Nós é que transformamos essas marcas em símbolos.

Hoje, olhando para o mercado, fica cada vez mais difícil enxergar a velha guerra dos consoles da mesma forma.

A Nintendo praticamente segue um caminho próprio. Seu modelo de negócios é diferente, sua proposta é diferente e seu público também acaba sendo diferente em muitos aspectos. Ela não precisa disputar a corrida pelo hardware mais poderoso para continuar extremamente relevante.

A Microsoft, por sua vez, passou a defender uma filosofia cada vez mais próxima da proposta “Play Anywhere”, seus jogos importam mais do que o lugar onde eles serão jogados. Apesar de recentemente ter sinalizado uma mudança de direção com a nova CEO Asha Sharma.

Já o PlayStation continua fazendo dos grandes exclusivos narrativos um dos principais pilares da marca.

Percebe que cada empresa parece ter encontrado o seu próprio caminho?

E talvez seja justamente por isso que o Halo no PlayStation tenha causado estranheza. Não porque a indústria ainda enxergue esse lançamento como algo fora da caixa e disruptivo. Mas porque nós ainda enxergamos esses laços que pelo visto só existem no nosso Lore.

Talvez a verdadeira guerra dos consoles tenha acabado faz tempo para quem faz os jogos.

Talvez ela continue existindo apenas para quem ama videogames, como sombras de uma outra época ou porque a gente gosta de manter a resenha viva.

E talvez seja justamente aí que esteja a maior diferença entre empresas e jogadores.

A indústria toma decisões com base em estratégia.

O fã toma decisões com base em paixão.

E, no fim das contas, talvez a paixão do fã continue sendo muito maior do que a frieza da indústria.

JogadorGe

Gamer desde os anos 80, nunca deixei de acompanhar o meio e a evolução ao longo dos anos, sou fascinado em como os games passaram de joguinhos para uma das mídias mais influentes na nossa cultura. Esse sou eu, Genilson.

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