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Me dá meu disco!

Recentemente a Sony anunciou que, a partir de janeiro de 2028, deixará de trabalhar com mídias físicas. Em outras palavras: os jogos passarão a ser distribuídos apenas em formato digital.

A notícia gerou uma enxurrada de críticas. Para muita gente, esse anúncio representa o fim de uma era e um enorme golpe na preservação dos videogames.

Mas será que a mídia física realmente vai fazer tanta falta quanto a gente imagina?

A decisão da Sony só oficializou uma tendência

Olhando para o mercado como um todo, eu diria até que essa decisão demorou para acontecer.

Playstation 5 e Xbox Series consoles
Playstation 5 e Xbox Series consoles

Logo no início da geração PlayStation 5 e Xbox Series, a própria Microsoft já oferecia o Xbox Series S, um console totalmente digital. Quem quisesse continuar usando discos ainda podia optar pelo Series X, mas a mensagem já estava ali.

A Sony fez algo parecido. O PlayStation 5 chegou ao mercado em duas versões: uma com leitor de discos e outra totalmente digital. Desde o primeiro dia já existia a possibilidade de abandonar a mídia física.

Até a Nintendo, que ainda trabalha com cartuchos, já lançou jogos vendidos em caixas que traziam apenas um código para download.

Nada disso aconteceu da noite para o dia.

A verdade é que o disco já deixou de ser o jogo

Red Dead Redemption 2 gigante
Red Dead Redemption 2 gigante

É justamente aqui que, na minha opinião, está o ponto mais importante dessa discussão.

Quando foi a última vez que você colocou um jogo recém-lançado no console e simplesmente começou a jogar?

Hoje, a maioria dos lançamentos exige instalação no SSD. Muitos dependem do famoso patch de Day One. Outros precisam de autenticação online. Há ainda aqueles que só funcionam plenamente enquanto seus servidores continuam ativos.

Ou seja, faz tempo que o disco deixou de carregar toda a experiência.

Na prática, os discos já vinham funcionando muito mais como uma chave de acesso do que como o próprio jogo.

E a preservação?

É justamente por isso que eu acho curioso quando muita gente diz que o fim da mídia física representa o fim da preservação dos videogames.

Na verdade, esse processo começou há muitos anos.

Pegue um jogo lançado hoje, agora imagine alguém tentando jogá-lo daqui a quinze ou vinte anos. Se o jogo depender de um patch que nunca mais poderá ser baixado, de servidores que já foram desligados ou de recursos online que deixaram de existir, pouco importa se existe um disco dentro da caixa.

A experiência já não será mais a mesma. A mídia física era apenas uma parte dessa preservação. E, a algum nem vem sendo mais a parte mais importante.

O que vem pela frente?

A tendência é que os jogos continuem crescendo em tamanho, complexidade e quantidade de sistemas funcionando ao mesmo tempo.

É por isso que eu também acredito que veremos uma integração cada vez maior entre hardware local e computação em nuvem.

Não estou dizendo que isso já seja uma realidade em todos os jogos.

Essa é uma leitura minha sobre a direção que a indústria parece estar tomando.

Cada vez mais buscamos mundos maiores, mais personagens na tela, simulações físicas mais complexas e experiências mais dinâmicas.

Talvez a próxima grande evolução dos videogames não venha apenas de consoles mais potentes, aliás, é muito improvável já que os custos de componentes estão nas alturas, talvez a próxima evolução venha da combinação entre o hardware que está na nossa casa e recursos processados na nuvem.

Se isso realmente acontecer, a discussão sobre mídia física ficará ainda mais irrelevante.

Talvez a mídia física tenha um novo papel

God of War Collector's Edition
God of War Collector’s Edition

Eu, particularmente, gosto de mídia física.

Também gosto da sensação de abrir uma caixa, olhar a arte da capa e colocar um jogo na estante.

Mas talvez esse seja justamente o futuro dela, não como a principal forma de distribuir jogos. E sim como um item de coleção.

Uma edição especial que traga artes, trilha sonora, making of, livros, estatuetas ou outros materiais capazes de preservar a memória daquele lançamento.

Talvez o valor da mídia física deixe de ser funcional para se tornar emocional.

Será que estamos discutindo a coisa certa?

É por isso que eu acho curioso ver os comentários desde que a decisão da Sony de acabar com a mídia física foi formalizada.

Basta aparecer um trailer, como aconteceu recentemente com o novo trailer do Marvel’s Wolverine, e a gente vê dezenas de pessoas dizendo que mal podem esperar para comprar a versão física.

Eu entendo esse sentimento, também sinto um pouco dessa nostalgia.

Mas será que estamos discutindo a coisa certa?

Será que a mídia física realmente ainda representa tudo aquilo que ela representava há vinte ou trinta anos atrás?

Ou será que ela já vinha perdendo essa função há tanto tempo que o anúncio da Sony apenas oficializou uma mudança que já estava acontecendo?

Talvez a pergunta não seja se vamos sentir falta do disco, talvez a pergunta seja outra.

Será que o que sentimos falta é realmente da mídia física… ou da época em que ela ainda era o jogo?

JogadorGe

Gamer desde os anos 80, nunca deixei de acompanhar o meio e a evolução ao longo dos anos, sou fascinado em como os games passaram de joguinhos para uma das mídias mais influentes na nossa cultura. Esse sou eu, Genilson.

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